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JNB - COLUNISTAS
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Jornalismo de Propósitos Confusos Sempre, nos veículos impressos, a queixa dos jornalistas era a de que não havia espaço suficiente para a elaboração de textos aprofundados, contextualizados, que levassem ao leitor a grande reportagem investigativa, a boa apuração, um trabalho de profundidade. Os anúncios e classificados de um modo geral não permitiam que isso ocorresse. A mesma desculpa também se aplicava - e ainda se aplica - à televisão, espaço onde o tempo é ainda mais curto; ao rádio: e, por incrível que pareça, às revistas semanais de informação que, fugindo de sua função primordial (aprofundar os fatos da semana), hoje, nada mais são, do que um resumo às pressas do que os demais veículos já deram anteriormente. Aqui na grande rede, dispomos de recursos - hipertexto, links, opções de design, tratamento de imagens, toda uma estrutura multimídia - que permitem, mais que em qualquer outro veículo, a prática de um jornalismo sério, responsável, que dê conta do direito à informação, garantido há anos pelas Nações Unidas, ao cidadão. No entanto, vivemos a era do consumo. E o jornalismo, salvo raríssimas exceções, vem se dirigindo apenas ao consumidor. Isso significa um jornalismo de notas curtas, pouco apuradas, seguidas (quando há link...) de textos igualmente pouco esclarecedores, superficiais e, não raras vezes, elaborados nos moldes perniciosos do "copiar e colar" de sites concorrentes. E para chamar a atenção, um destaque com algum “escândalo da semana”, igualmente mal apurado e muitas vezes de interesse público discutível, dando conta, por exemplo, de alguma questão pessoal em torno da vida de algum “artista” de televisão. É neste cenário que observamos, nos grandes portais disponibilizados em rede, um excesso de "informação" (?), um excesso de notas curtas, seguidas de um "leia mais" que leva a um texto igualmente curto e pobre, jornalisticamente falando. Em outras palavras, o jornalismo vem seguindo as regras de consumo rápido, apregoadas pelas demais áreas das ciências da Comunicação, como a Publicidade, a Propaganda e as Relações Públicas. É urgente e necessário que os profissionais do jornalismo comecem a pensar nestas questões com muito cuidado, no sentido de encaminhar uma prática mais adequada ao propósito do seu fazer: o relato veraz (boa apuração, fatos contextualizados, técnicas jornalísticas bem aplicadas, precisão etc.) e a opinião bem fundamentada, honesta, baseada em fatos de interesse público. Se isso não ocorrer, estaremos fadados a ter, num espaço rico e repleto de possibilidades como a internet, um jornalismo voltado a outros propósitos, que não o de levar a informação ao cidadão. Mais que isso, corremos o risco de o jornalismo perder o seu bem maior, o seu patrimônio, sem o qual deixa de ser jornalismo: a credibilidade. copyright by Nancy Nuyen Ali Ramadan Era da Informação novidades e desafios. Isso quer dizer que esta é a era do conhecimento, o conhecimento para ser a base de todos os fazeres. Assim, no caso brasileiro em especial, por um bom tempo, teremos uma grande massa de excluídos deste processo. Esta era traz um impacto bem maior que o da era Industrial tendo em vista a velocidade do aparecimento de novos inventos no campo tecnológico. Mais que isso, ela traz uma carga enorme de informação. Os cientistas, a universidade, a pesquisa em Comunicação, ainda estão atordoados, digerindo as mudanças todas. Tudo é novo e tudo é importante. Nunca vivemos um momento de ruptura tão paradoxal. O processo de Comunicação precisa, de maneira emergencial, ser seriamente pesquisado. Agora, mais recentemente, vemos alguns poucos trabalhos tratando do tema. Para os jornalistas, especialmente, há muito que se estudar. Há um discurso que dá conta de que o jornalismo é só redação. Infelizmente temos muita resistência nos meios acadêmicos e empresariais em pensar no jornalismo e na tecnologia buscando conceitos, teorias, metodologias novas de trabalho e, conseqüentemente, de ensino. Penso que, aos poucos, universidade e mercados vêm entendendo a importância de encarar a comunicação, seu ensino e sua prática com interdisciplinaridade, buscando o entendimento de conceitos básicos. Aparentemente não há ainda um modelo eficiente da comunicação nesta chamada era digital. E nem sei se haverá. Temos que estudar maneiras de trabalhar de acordo com as especificidades de objetivos, público e conteúdo. É isso que universidade e mercado, na minha opinião, não estão percebendo: acabou a era de modelos prontos, funcionais e duradouros. Este é o desafio. O que ocorre é que a tão falada pós-modernidade, era digital, era do conhecimento, chega num Brasil que não é sequer moderno, em termos de mentalidade do empresariado e de infra-estrutura. Os empresários da Comunicação ainda pensam na empresa dentro do modelo da fábrica (Revolução Industrial), se agarram a modos de agir e pensar da era anterior que, aliás, corresponde à estrutura que temos para trabalhar ainda: empresa localizada num prédio, com cartão de ponto, departamentos, vários gerentes, horários fixos, presença física do empregado etc. O que posso dizer é que essa mudança – de mentalidade - vai demorar e estará baseada em experimento, acerto e erro. Muito erro e prejuízo, diga-se de passagem. É o que tenho observado. Não vejo ainda boa vontade ou abertura das pessoas para redimensionar as relações todas e descentralizar a informação. É preciso ordenar, apurar e contextualizar com responsabilidade a informação e isso, também, é trabalho para bons jornalistas. copyright by Nancy Nuyen Ali Ramadan Nancy Nuyen Ali Ramadan é jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde leciona na graduação e pós-graduação do curso de Jornalismo e Editoração. Para enviar seus comentários,Clique Aqui | ||||
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